domingo, 10 de agosto de 2008

Sacramentos

Há uns tempos atrás, escrevi no Sulco que um dia iria pensar em conjunto com todos aqueles que visitam este blogue sobre os tempos de hoje (no fundo, os nossos tempos); em concreto, uma certa aflição que me faz ao ver a postura assumida em certos Baptizados e Casamentos.
Hoje, mais moderado que "ontem", não pretendo assumir uma posição abrupta, aquela que assumi muitas vezes. Procuro antes a partilha de pensamento.

"Irmã, que podemos fazer perante estes Baptismos e Casamentos que mais parecem actividades obrigatórias [junto da sociedade] para pessoas que pretendem dar ao acto um significado diferente do que é, na realidade?" - perguntei eu a uma Serva de NSF.

Respondeu-me:"Concordo consigo, mas temos de antes e depois fazer um acompanhamento mais estreito por forma a que as pessoas não se desviem. Todos somos chamados ao Baptismo. E no fundo, cada criança baptizada recebe o dom do Espírito Santo. Demos Graças a Deus por isso".
(fiquei-me...)

É uma realidade. Há uns anos atrás, recordo, fui convidado para ser padrinho de Baptismo de um familiar. Aceitei prontamente e com enorma alegria. Sucede que os pais do meu afilhado não têm qualquer prática religiosa. Nem antes, nem depois. O meu afilhado encontra-se longe da Igreja, londe de Deus (que o amou primeiro).
Podia ter feito Caminho, Catequese, Escutismo... e porque não fez ? Não fez pela assunção de vida que os pais têm. Perdi entretanto o contacto com eles. Não obstante, assumo também a responsabilidade de não ter feito nada. Deus pedir-me-á contas disso, estou certo.
Aproveitando este exemplo, recordo que na preparação para o Baptismo, os pais do meu afilhado comentavam "lá vamos nós levar seca do Padre". Esta era a disposição para o Baptismo. Imaginais o cenário ?
E é a disposição de muitos e muitos pais, infelizmente. Ou seja, o Baptismo (para estes) é algo que "cai bem" na sociedade mesmo que depois apenas reste as fotografias do dia para um dia mais tarde se poder dizer (como tantas vezes ouço) "eu acredito em Deus mas não preciso de ir à Igreja. Até fui Baptizado e fiz a 1ª Comunhão". Eis aquilo a que chamo "cadáveres ainda vivos" pois hoje, já estão mortos. Apenas respiram.
É como aqueles que dizem serem "católicos não praticantes".
Ora, ou são praticantes ou não são católicos. Os católicos cumprem reiterada e sucessivamente os Sacramentos. Logo, não se podem dizer católicos. Digam-se cristãos. Ponto.
Desviei-me um pouco do tema. Retomo a linha de pensamento agora com os casamentos.
É ou não verdade que se passa muitas vezes nos casamentos católicos o mesmo que se passa nos Baptizados ?
Muitas vezes, conhecendo as pessoas e o seu estilo de vida (porque não fazem parcimónia em o dizer, revelar) vestem-se de branco, cor de uma pureza que perderam há muito tempo.
Certo, é uma questão de tradição. Mas confesso que me faz alguma confusão.
Percebe-se onde quero chegar ? Isso, falo da castidade, da pureza do nosso corpo para ser entregue ao esposo(a) no dia do casamento que Deus abençoa.
E no dia seguinte olha-se as alianças ainda brilhantes, os vídeos do dia anterior, as fotos já reveladas... mas esquece-se do principal. Aliás, o principal está já (mas ainda não definitivamente) esquecido.
E depois, as separações, os divórcios, os filhos deseducados na fé cristã. Unem-se na Igreja, unem-se duas vidas na Igreja e depois... uma vida totalmente fora da Igreja. Quantos divórcios podiam ser evitados havendo uma Direcção Espiritual... quantos divórcios podiam ser evitados havendo comunhão e oração... Jesus, não é tido nem achado nas decisões, mesmo aquelas que envolvem a indesejada ruptura de duas vidas outrora abençoadas e unidas.
Findo. Não vos escreve um moralista. Escreve alguém com muitos telhados de vidro, o maior pecador que conheço, mas alma em que o Espírito santo faz desejar com grandiosa gana ser, como dizia O Nosso Padre, um cristão, um rebelde. Tento, com muita mediocridade, fazer caminho. Mas como dizia um Padre meu amigo, "os erros dos outros não justificam os teus". E a inversa é também verdadeira. Daí este texto.
São Josemaria dizia de si próprio um rebelde. Porque rejeitava tudo quanto fosse "esterco" (São Paulo) para chamar a si uma vida repleta com Cristo. Isso é ser rebelde. Não quero (não queiram) ser mais um carneiro, na direcção de toda a carneirada.
Uma nota final. A Obra tem-me ajudado muito. Os meus amigos do Opus Dei e o meu Director Espíritual deixam marcas. Não sou o mesmo "pseudo cadáver [em estado latente]". Deixo este testemunho para aqueles que queiram conhecer de perto a Obra. Leiam as Obras do Fundador da Obra, assistam a recolecções, façam Direcção espíritual. Façam caminho. Exorto-vos, como a mim mesmo, a fazê-lo.
Que Deus me e vos ajude a ser verdadeiros soldados, verdadeiros rebeldes. E que possamos ser voz activa junto de todos aqueles que Jesus nos coloca no caminho (incluindo pais e noivos...).
Façamos apostolado.

1 comentário:

HPA disse...

De facto, que grandíssima coincidência. O que me impeliu a escrever o meu comentário foi uma situação tipo "casamento na hora à Las Vegas no registo civil" com uma pessoa divorciada de uma pessoa que se dizia Católica...

Católicos "Martini", claro.

Um grande abraço para si!